Para que serve o futuro? Eu digo-vos para que serve o futuro. O futuro serve, no momento em que se torna presente, olharmos para trás e vermos o caminho percorrido: se as coisas más, más ficaram ou se afinal acabaram por ser coisas boas; se as coisas boas afinal não foram assim tão boas e algumas delas até mais pareceram maus sonhos; e como as desgraças, apesar de desgraças terem sido, delas terem germinado coisas tão boas que no presente seria impensável viver sem elas. O futuro serve para irmos percebendo se crescemos. O futuro, quando lá chegamos, é um binóculo com vistas para o passado e nos revela se temos vindo a caminhar bem ou mal, se tudo afinal, não era suposto ter sido assim. Poderíamos dizer então que não é o futuro de facto que nos dá esperança, mas o passado.
sábado, 12 de abril de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
O presente
Quanto mais a um nível emocional retirarmos de uma situação, mais facilmente poderemos deixá-la para trás. Apenas quando, mesmo inconscientemente, não tivermos aprendido o suficiente, iremos sentir uma perda. Portanto, em vez de olharmos para trás ou fazermos filmes com o futuro, tratemos de retirar as aprendizagens que o presente tem para nos proporcionar.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
70
Que andamos nós cá a fazer? Nenhum ser humano pediu para nascer. A vida é-nos literalmente impingida. As birras surgem depois de cá estarmos. Temos e sabemos que temos um tempo limitado de vida. Sai-nos na rifa um determinado tempo e espaço e tudo o que de bom e mau eles têm tem para oferecer. Com alguma sorte (ou azar), temos uns 70 anos para a experimentar e depois acaba-se tudo. Qual o sentido disto então? Por que parâmetros nos devemos guiar? Temos esta sensação que a vida vai durar indefinidamente. Sabemos que vamos morrer sim, mas somos os piores crentes na nossa própria finitude. As pessoas são incrivelmente desajeitadas e sem recursos quando se trata de consertar algo nelas próprias.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Pensamento para 2014
Sei que tudo acontece por um motivo. E as pessoas passam pela nossa vida (e nós pelas delas) por motivos que não conseguimos ver no momento. Mas é importante confiar nisso, que estamos num processo de aprendizagem. E nem sempre o que nos parece mais tentador ou o que mais desejamos é de facto o que é melhor para nós. É apenas a vida a ensinar-nos algo sobre nós próprios. E aceitar isto é muitas vezes duro, impossível mesmo. É importante, não nos movermos por entre as coisas, mas irmos pairando sobre elas. A nossa harmonia é essa.
É importante reflectir sobre as coisas, mas não ficar paralisado por elas. É importante pairar sobre as coisas, não ir de encontro a elas ou resistir-lhes. É importante confiar nas cartas que a vida nos dá, no caminho que é o nosso ou nós dele. O importante não é ganhar, é ir jogando e ir jogando com mais sabedoria até o acto de ganhar ser irrelevante.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Dentro
Acredito que andamos cá para amar e ser amados. Acredito mais nisso do que em qualquer outra coisa. Porque outro motivo haveríamos de ser racionais? Precisamente para podermos ser irracionais e crescermos por dentro. Todo o caminho é singular e intimo. O destino é mais ou menos similar para todos, já a viagem é diferente para cada um. Não comandamos tanto os passos que damos. Acredito que é o caminho que fazemos que é o nosso mestre. Apenas conseguimos interpretar o que o caminho passado nos diz. Quantas vezes, depois de pesadas adversidades, damos por nós num lugar melhor, mais em sintonia com nós próprios e consequentemente, com o que nos rodeia? Aí realizamos que afinal tudo fez sentido, que talvez fosse suposto ter sido assim. Quando amamos e acredito que esse momento chega a todos nós varias vezes ao longo da vida, de maneiras diferentes, estamos sempre, mesmo inconscientemente, num estado emocional superior. O amor é a chave e não é o outro que é a fechadura, mas sim nós próprios. Qualquer resposta, aprendizagem e crescimento será sempre de nós para nós. E deste evoluir irradia toda a harmonia (ou desarmonia) com que fluímos por entre todos os outros caminhos. Em última análise, o mundo não é algo que está fora de nós. O mundo começa em nós.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Pedra na praia
O tempo não existe ou então, nada mais existe além de tempo e o que fazemos é esculpi-lo, desenhá-lo, dialogar com ele na esperança de sabedoria em todas as respostas que não nos dá. Pegamos numa pedra numa praia qualquer e lá está tudo, todas as respostas nos veios cruzados, no preto, no branco, no peso, na sensação na palma da mão, na viagem que ela fez. É tempo de ver o pôr do sol, de lhe sentir o cheiro, de o ver nascer enquanto morre.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Perto longe
Todas as coisas estão igualmente próximas e longe umas das outras e nós somos a distancia entre elas.
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