segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Ontem, já quase hoje


Que seja assim sempre a irredutibilidade de aqui estar, resistente sem quase nunca dar por ela. Que seja assim como o dia findo, tão fascista de irrepetível. Não lhe compete oferecer a suspensão. Cabe-nos usufruí-la e dentro dela viver a eternidade nunca roubada. Sim, sim, tudo passa, tudo passa, mas enquanto não passa...

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Por perto


«...Quando sinto que o mundo está ao contrário, escondo-me em ti. Sempre tiveste essa generosidade. E quando de ti me fazes de novo emergir, faço-o com renovado desejo de enfrentar a minha própria criatividade, deixando-a seduzir-me. Aí, tudo é luz e sabes o que isso quer dizer...Penso eu, com um sorriso nos lábios. Andas por perto.»

domingo, 22 de novembro de 2020

Dancer


Meu anjo, 
umas palavras para ti:
Milagre da Natureza.
O rosto é o Universo
e o corpo a Terra,  
nu olhar a passagem do tempo,
nus lábios o livro de ti.
Nu ventre, uma luz só tua.
Nas mãos a dança da infância,
nas pernas a nudez de criar.
A vulnerabilidade, 
a maior das dádivas.
Danças arco-íris ao vento
nu ondular de um sentir
sem passado nem devir. 
O momento presente
é de quem te vê.
Eternidade tens tu,
fluida nu existir.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

«Ficou tudo no segredo dos deuses»


«lá para os 10, 11 anos, embora magra, comecei a ficar com um corpinho robusto e dourado. Foi o princípio de outro inferno. Agora tenho vergonha de falar nisto... Vou respirar fundo. Nem eu ainda sabia o que isso era e tentaram violar-me. Foi a minha irmã que apareceu e me defendeu. Ficou tudo no segredo dos deuses»

Que a impediu de sair do quarto a correr?

quarta-feira, 19 de junho de 2019

S/ titulo


Preferimos a morte certa, a morte métrica, as sílabas dos sonhos nunca partilhados, mas enrodilhados na mentira do nosso próprio devir.. Sim há-de vir um dia, uma noite e um dia e uma noite. Há-de vir a ideia de nunca mais deixar de cair, a dificuldade em respirar por se estar vivo demais. Como se isso pudesse existir.
Podemos ambicionar o embrionar nos pequenos instantes já passados, sempre, sempre já passados, cometas às voltas do sol até se estamparem nele. Oh luz que fomos e iluminou um dia a noite, oh luz que seremos. Uma dança de desencontros e precisas dissonâncias a construir a fugidia felicidade.

sábado, 1 de junho de 2019

Still life


Um amor de fim de semana. Dejá vu, welcome to the machine. O princípio e o fim do mundo e negligenciar o que se passa entretanto. O «entre coisas» é a cola que sustenta o cosmos. Entre mim e entre ti nada existe. Tudo pode acontecer. As palavras slogans da negação da alma e do coração. Existe diferença entre eles? Existimos? Sentimos? No que acreditamos? Não nos atrevemos a dizer. E neste não atrever, nasce a mentira por entre as palavras. Preferimos morrer pelas coisas mais pueris. A desimportancia do que há cá dentro ascende à condição de ópera, de livro vermelho, de credo. Nada entra. Nada entra entre a esqualidêz das palavras onde o musgo vai crescendo. E as minhas palavras são invisíveis e o que quer que tinha para dizer era mudo e sentir isso fazia-me sofrer mais do que tudo. 
A minha fantasia de ver o mundo sem mim, o meu complexo de «It's a wonderful life» não é romântico como no grande ecrã. O mundo passa bem sem mim. E sem a caricia das estrelas na palma da mão, de facto não há vida. E a respiração vem de uma pilha prestes a ficar gasta.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Nevermore


Don't be reckless with other people's hearts.
Don't put up with people 
who are reckless with yours.
-Baz Luhrmann