sábado, 5 de agosto de 2017

O dia vinha longe ainda


Uma ave negra na noite veio pousar-me nu ombro e disse-me ao ouvido tudo feito de penas e voos e caminhos nas alturas difíceis de encontrar. O nada que fiquei a saber soube-me a tudo. Soube bem o azeviche da pelugem a lembrar que o dia vinha longe ainda. Enquanto levantava voo disse haver ainda tempo para sonhar. Desta noite faço um envelope e ainda o conseguiu agarrar. Leva-me os sonhos para onde já não houver chegar. Fico a sonhar com o meu voar, esse que me deixaste nu ombro, ligeiramente a sangrar do teu agarrar.

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