quarta-feira, 3 de junho de 2015

«I am the ressurection»


Que faz de mim silêncio nestes tempos de ensurdecedora surdina? E porque ouço a voz surda veladora dos medos antigos? Não há por acaso luz suficiente para tudo varrer? Que é a distância para um raio de luz, afinal? Um segundo? A eternidade? Pudesse dar-te eu aquilo que receias perder e não hesitaria. Já tenho história dentro de mim para me ocupar por uma pequena eternidade. 
Tenho os meus sonhos, memórias, todos os sons, imagens e músicas de mim para ouvir quando me sentir um pouco só. E quando assim me sinto, por vezes choro, outras vezes escuto a voz do coração, porque ele não fala por silêncio, 
fala por sentir.

Nu


Nu peso, 
nu repouso, 
nus sonhos, nus medos, 
nus instantes, 
nas pequenas felicidades entre os segundos, 
nu sentir que a eternidade existe 
ao virar da esquina. 
E terna idade aquela que ama. 

sábado, 18 de abril de 2015

um anónimo instante


...aqui teríamos de reflectir sobre o que é estar acompanhado. Estamos quando muito em nós e de nós para nós. E os outros não estão de facto ali, mas cá dentro a serem perpétuamente processados. Por isso, ninguém vai de facto embora porque de certo modo nunca «cá» esteve. Acompanha-nos aquilo que somos e o que somos é feito de memória permanentemente a ser gerada. E nós, ditos artistas, usamo-la como matéria-prima. E voltamos ao que não existe mas está sempre connosco. Uma estrela do outro lado do universo, a milhões de anos-luz de tudo o que estiver mais perto, estará só? Afinal, não podemos categoricamente afirmar que ela não tem de algum modo uma qualquer consciência de si.

domingo, 22 de março de 2015

Escolher, caminhar, definir


A minha luz não me assusta! Gosto muito dela e faz-me sentir bem. Suei muito para a ter. É precisamente como escolhemos caminhar na penumbra que nos define. E essa escolha ou é geradora de mais luz ou mais penumbra.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O nosso pequeno pedaço de céu


Agarramos o nosso pequeno pedaço de céu
no breve arco-íris do aerosol.
Do gesto fez-se a janela do nosso contentamento
e mais uma vez aparece a comunhão.
Dizemos o quê? Nada. 
Falamos dentro do nosso abraço. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Embalo

nu embalo das histórias sussurradas
no embalo das cortinas ao vento
no verão dos corpos poentes
nu suor da pele embalada

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sinto


Eu respiro e isso traz memória do cheiro da ferrugem
a rodear uma energia assustada afogada nos meus braços.
Desapareces na parede, na barragem de conversa 
e eu encosto-me a ti e sinto o teu ventre quente.