quinta-feira, 9 de maio de 2019

Ainda assim


Ainda quente, ainda com cio, consentido, com sentido. Ainda assim, de um lado e de outro, pergunta, resposta. Dois quartos? Dois espaços, um cosmos, uma cosmética da solidão. Abraçar a coisa sem nome porque ela sim, sabe bem. Sabe bem a companhia do corpo. Ele inventa outros corpos, reage à invisibilidade deles. Estar lá, estar aqui. Saber sentir em oposição à dialéctica de não sentir.
Abraço-me nu sentir-te e estou dentro de ti nu estares dentro de mim. Jogo de procissão de ausências. Sento-me, é isso. Compassos ternários? Que merda é essa? Basta que não me calques os pés. O resto é um inútil exercício de corporizar cheio de esperança. Cio, ciático. Ainda assim, dois-me como a puta que pariu.

terça-feira, 30 de abril de 2019

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Ascension


And if I go, 
while you're still here... 
Know that I live on, 
vibrating to a different measure 
--behind a thin veil you cannot see through. 
You will not see me, 
so you must have faith. 
I wait for the time when we can soar together again, 
--both aware of each other. 
Until then, live your life to its fullest. 
And when you need me, 
Just whisper my name in your heart, 
...I will be there.

-Ascension, Colleen Corah Hitchcock

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Uma questão de natureza




Inventamos o amor para nos afastarmos da nossa natureza animal e em nome do amor, temos, ao longo dos milénios, cometido as maiores animalidades.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A festa


A festa acabou. A festa dura para sempre. A festa acontece depois do acidente, não há sangue que aguente. A festa começou entre as flores e as bebidas sem nome. Todos para ali armados em deuses num pequeno Olimpo. Tudo a acontecer em câmara lenta, na voracidade canibal dos sentidos. Toda aquela chuva quente a convidar a nudez selvagem, elegíaca. A festa eram gritos, risos, era recreio, era a promessa de uma praia impossível. Música, dança poente. A festa acabou, na certeza de durar para sempre.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Mármore


Quando se está numa relação, está-se a 20%, a 50%, a 80%? Está-se a 100%? No seu melhor, está-se sem limites. Não há zonas reservadas. Há o que se dá e partilha e há o que não se dá e não se partilha. 
Ninguém é perfeito. E o que se sente, por muito arrebatador que seja, também não é perfeito. Mas zonas proibidas é algo que não deve haver e muito menos serem impostas. No amor, existe medo e desconfiança. É um facto da vida. Se por um lado, isto deve ser aceite, por outro lado, não deve ser alimentado e fomentado. No amor, cuidamos mais do outro do que de nós próprios e fazê-lo é cuidar de nós próprios. Se não é isso que acontece, então não é amor, não é amizade. É mármore sem forma e sem escultor à vista.