domingo, 6 de maio de 2018

Habitar a memória


Não há tempo perdido. Se assim fosse, porque existiria memória? Que há de igual entre os dois? É o facto de nunca permaneceram estacionários. Progridem sempre. Connosco, na vida. O único tempo perdido é aquele que não deixa memória. E a única memória que não merece ser recordada é aquela que se perdeu no tempo.
Portanto, o que é isto que vivemos agora a cada instante? Isto a que chamamos vida. Não a vida de respirar, de existir, de envelhever, mas a vida que vem de sentir, de saber.... de sentir que estamos vivos? Talvez tempo e memória gerando um entrelar perpétuo? Porque vida e morte não podem avançar no tempo senão entrelaçadas.
Uma vez pensei que morrer é passarmos a habitar a nossa própria memória. Consequentemente, o modo como vivemos  proporcionar-nos-á habitar um paraíso ou um inferno.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Shall I?


 «Shall I tell you what I find beautiful about you?
You are at your very best when things are worst.»
-Starman, John Carpenter

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Regato


«Quem me dera que a chuva da noite viesse, e depositasse em tuas pálpebras a tempestade da terra. E quando abrisses os olhos, me pudesses ver no clarão dum relâmpago. E a tristeza húmida nascendo dos lábios, onde o insecto de ouro se revolve na saliva.
Quem me dera que a chuva viesse e nos diluísse um no outro. E pela noite corrêssemos como um regato em direcção ao mar».
-Al berto

domingo, 18 de março de 2018

A parva eternidade

Que luz é esta tão maltratada pelos amantes?
Que fazem eles afinal senão caminharem para o final?
Não há eternidade, não há fé ou redenção.
Há o momento sem igual, reacção em cadeia a
encarcerar-nos alegremente na jaula do outro.
De boa vontade derrubamos vezes sem conta
o candeeiro tão fragil a gemer. De alegria, sei agora.
Candeeiro velho vandalizado pela intensidade
do instante para sempre. E ele dá luz, dá dor,
deixa o amor seguir seu curso. Determinado,
em reincidente casamento. Não há dor que aguente
momentos assim. Nem escuridão.
There is a light that never goes out.
E com ela tudo faz sentido. Até a parva eternidade.
Que sabe ela afinal do nosso instante
quase às escuras? Que sabe ela desta luz
nosso perfume, nosso segredo?

quarta-feira, 14 de março de 2018

O que fica?


Estava sozinho ou estava acompanhado?
E a a sua companhia? Sozinha ou acompanhada? 
Quando estamos com alguém, estamos sozinhos,
com alguém ou com nós mesmos?
E que comunicação é esta? Com quem falamos?
Com alguém ou com nós mesmos?
E quando tudo isto acontece, se acontece,
o que fica, se algo fica?

sábado, 10 de março de 2018

S/ título


A pequena luz, a pequena justiça.
Dizes-me para não me importar
e eu não respondo.
O tempo abusa da musa.
e nós da imaginação.
Que coisa é essa de ter a vida
toda pela frente?
Afinal, podem ser três anos
ou três segundos.
Vamos guardar a luz com o
escuro dos nossos olhares.

A perfeição é a nossa natureza.
A imperfeição é a nossa humanidade.

quinta-feira, 1 de março de 2018