Sim, hoje olho o céu e não vejo azul, não vejo nuvens, não vejo infinito. Vejo-te a ti como um vasto zepelim feito miragem a cobrir-me na lenta passagem de um dia que se recusa a terminar. É a casota dos pardais pregada na árvore perdida na imensidão do pinhal, perdido na imensidão de um canto da savana irredutível ao dia, na solidão ausente das estrelas ou da Lua. Fica a semente, qual bomba-relógio, da inevitabilidade de regressar ao lugar anterior ao primeiro passo.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Ontem, já quase hoje
Que seja assim sempre a irredutibilidade de aqui estar, resistente sem quase nunca dar por ela. Que seja assim como o dia findo, tão fascista de irrepetível. Não lhe compete oferecer a suspensão. Cabe-nos usufruí-la e dentro dela viver a eternidade nunca roubada. Sim, sim, tudo passa, tudo passa, mas enquanto não passa...
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Por perto
«...Quando sinto que o mundo está ao contrário, escondo-me em ti. Sempre tiveste essa generosidade. E quando de ti me fazes de novo emergir, faço-o com renovado desejo de enfrentar a minha própria criatividade, deixando-a seduzir-me. Aí, tudo é luz e sabes o que isso quer dizer...Penso eu, com um sorriso nos lábios. Andas por perto.»
domingo, 22 de novembro de 2020
Dancer
Meu anjo,
umas palavras para ti:
Milagre da Natureza.
O rosto é o Universo
e o corpo a Terra,
nu olhar a passagem do tempo,
nus lábios o livro de ti.
Nu ventre, uma luz só tua.
Nas mãos a dança da infância,
nas pernas a nudez de criar.
A vulnerabilidade,
a maior das dádivas.
Danças arco-íris ao vento
nu ondular de um sentir
sem passado nem devir.
O momento presente
é de quem te vê.
Eternidade tens tu,
fluida nu existir.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
«Ficou tudo no segredo dos deuses»
«lá para os 10, 11 anos, embora magra, comecei a ficar com um corpinho robusto e dourado. Foi o princípio de outro inferno. Agora tenho vergonha de falar nisto... Vou respirar fundo. Nem eu ainda sabia o que isso era e tentaram violar-me. Foi a minha irmã que apareceu e me defendeu. Ficou tudo no segredo dos deuses»
quarta-feira, 19 de junho de 2019
S/ titulo
Preferimos a morte certa, a morte métrica, as sílabas dos sonhos nunca partilhados, mas enrodilhados na mentira do nosso próprio devir.. Sim há-de vir um dia, uma noite e um dia e uma noite. Há-de vir a ideia de nunca mais deixar de cair, a dificuldade em respirar por se estar vivo demais. Como se isso pudesse existir.
Podemos ambicionar o embrionar nos pequenos instantes já passados, sempre, sempre já passados, cometas às voltas do sol até se estamparem nele. Oh luz que fomos e iluminou um dia a noite, oh luz que seremos. Uma dança de desencontros e precisas dissonâncias a construir a fugidia felicidade.
sábado, 1 de junho de 2019
Still life
Um amor de fim de semana. Dejá vu, welcome to the machine. O princípio e o fim do mundo e negligenciar o que se passa entretanto. O «entre coisas» é a cola que sustenta o cosmos. Entre mim e entre ti nada existe. Tudo pode acontecer. As palavras slogans da negação da alma e do coração. Existe diferença entre eles? Existimos? Sentimos? No que acreditamos? Não nos atrevemos a dizer. E neste não atrever, nasce a mentira por entre as palavras. Preferimos morrer pelas coisas mais pueris. A desimportancia do que há cá dentro ascende à condição de ópera, de livro vermelho, de credo. Nada entra. Nada entra entre a esqualidêz das palavras onde o musgo vai crescendo. E as minhas palavras são invisíveis e o que quer que tinha para dizer era mudo e sentir isso fazia-me sofrer mais do que tudo.
A minha fantasia de ver o mundo sem mim, o meu complexo de «It's a wonderful life» não é romântico como no grande ecrã. O mundo passa bem sem mim. E sem a caricia das estrelas na palma da mão, de facto não há vida. E a respiração vem de uma pilha prestes a ficar gasta.
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