terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Queda

Se corrermos na fina lâmina, puxados por um cão raivoso, o mais certo é cairmos. Em dias indiferentes como este, eventos e coisas apenas parecem estar no seu lugar. Se redenção se espera, não surgirá do sangue da pele esfolada pela queda. É preciso acreditar no momento em que menos se consegue acreditar. E no desejo de não querer acreditar, aguarda-se que a ausência de lucidez, as pausas, os intervalos por fim parem. E tudo volte à normalidade. Seja lá o que isso for.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Simplesmente ser

Aí vem o Sol, senti eu caminhando no veludo azul das nuvens, Sorri por tudo ver ao contrário e tudo parecer direito. Contei histórias a mim mesmo e embalei-me contando-te cabelo a cabelo... E tu sorriste também antes de adormeceres. O teu sussurro levou-o a brisa de Verão. Olha como Sol vem... Viramos o rosto para ele, como se flores fossemos e deixamo-nos simplesmente ser no aquecer.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Até onde?

O amor não se perde nunca. Morre, talvez, mas sua alma vai juntar-se às estrelas iluminadoras dos sonhos dos poetas, dos apaixonados… dos corações quebrados. Quem disse que o amor gerado não é as fagulhas das fogueiras que aquecem os viajantes nocturnos? Das fornalhas das fábricas que moldam o suor dos que nunca sonharão? Ou a sujidade dos mendigos esquecidos, e que também amaram? Quão triste e irónico seria se, depois de ser sentido, depois de ser vivido, o amor se desvanecesse nas lágrimas dos destroçados, ou até na indiferença dos vencedores? Quando não se entende o que aconteceu, que existe então para esquecer? Perguntas destas não se fazem. Tudo o que tem a ver com o sentir, está ligado à capacidade de acreditar, de ter fé. Até onde vai a capacidade de nos darmos? Até onde vai a infinitude?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ghosts

Ghosts

remnants of life and affairs.

we build shadows brick by brick

and leave behind the tower

of our own isolation.

This is what we wait for:

not an end or a beginning

but a little chance

to give us direction.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Deixar de existir

Existe caos nas mais pequenas manifestações da vida. Não quero sequer respirar-me ou até deixar-me dormir. Invejo o futuro e todas as suas possibilidades. Quero aniquilá-las uma a uma até nada existir no sonho que não vou sonhar. Algures, sempre por entre um qualquer desatento instante, insinuar-se-á algo. Talvez um inaudível suspiro. Talvez no dia seguinte eu acorde e sinta devagar invadir-me todo o amor, toda a esperança e criatividade. O que desejo agora? Deixar de existir, O que gostaria que acontecesse? A possibilidade de renascer, mesmo depois de a ter espezinhado além de qualquer reconhecimento.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Horizonte vertical

Olhar para cima quando se está no ar
é olhar para onde calhar.
Caminha esse horizonte vertical
e imagina o pensamento a fluir
na escada de palavras em espiral....
Sente a suspensão das horas,
o poente vai parindo sua nascente.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Impromptu

Algumas canções não prestam mesmo. Apagámo-las e o que fica mais harmonioso se torna. Não interessa pensar muito no assunto. Podemos dar, podemos receber, é uma opção nossa. Cabe aos outros apreciarem ou apropriarem-se. Por muito que fale, nunca vou realmente dizer tudo e muito menos o que sinto, embora ache que sim. O tempo é apenas o tempo de estar aqui. É como um jogo de aposta: é-nos concedido um determinado espaço de tempo e depois temos de lidar com o que vamos fazer com esse tempo. Podemos fazer o que quisermos, no alinhamento que escolhermos, só não sabemos quanto tempo temos. Portanto, o desafio é tentar fazer tudo o que se deseja antes que o tempo se acabe. As canções que escolhermos não as podemos apagar, só as podemos deixar para trás.