quinta-feira, 9 de maio de 2013

De vez em quando


Quanto vale a tua nudez? 
Quantos dias da minha vida?
De vez em quando desapareces, não sei de ti.
De vez em quando vale a pena esperar, 
aprender a plenitude.

segunda-feira, 25 de março de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quase sempre





Tudo é sempre por agora.  
há muito por agora em sempre. 
E há muito para sempre em por agora. 
E tudo acontece sem darmos por isso.
Quase sempre.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O calor




Não sabe bem dizer adeus 
ao som do bater das asas dos corvos do meio dia.
O adeus dito com um «olá» e um beijo. 
Há que desempacotar de novo
todos os piscar de olhos, regá-los e recriar o lugar
onde antes havia planície 
à qual chamávamos varanda, carro, cama.
Apenas quero pôr a minha mão entre 
as tuas pernas e sentir o calor.
Esse será o ocaso. 
Isso e dizer adeus ao teu adeus.
É bom ver-te de novo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Regresso





Cada pensamento esvai-se
porque acaba sempre a jogar às escondidas.
Sei que estás de regresso.
Sei que pareces um pensamento
mas não és um pensamento.
És o interior da paisagem, és um acreditar.

No lugar onde passavas os dias,
passava-te a brisa entre os cabelos,
entre as coxas, sentias os pés 
enterrados na areia e acreditavas.
Entregavas-te às coisas simples da Natureza
porque sabias, sem pensar nisso,
que ela te devolvia a mim.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

(re) encontro





Será uma espécie de regresso a casa. 
O cálice, a voz por trás da porta, 
a planície partilhada. 
Recolhemos para perto do coração 
e o sono do caracol fará a vez da 
tinta branca no meio da estrada. 
Vou encarnar o espantalho 
porque sei que virás até mim. 
E cansado de olhar o horizonte e 
espantar os corvos, não te sentirei chegar. 
Até já estares dentro de mim.