...aqui teríamos de reflectir sobre o que é estar acompanhado. Estamos quando muito em nós e de nós para nós. E os outros não estão de facto ali, mas cá dentro a serem perpétuamente processados. Por isso, ninguém vai de facto embora porque de certo modo nunca «cá» esteve. Acompanha-nos aquilo que somos e o que somos é feito de memória permanentemente a ser gerada. E nós, ditos artistas, usamo-la como matéria-prima. E voltamos ao que não existe mas está sempre connosco. Uma estrela do outro lado do universo, a milhões de anos-luz de tudo o que estiver mais perto, estará só? Afinal, não podemos categoricamente afirmar que ela não tem de algum modo uma qualquer consciência de si.
sábado, 18 de abril de 2015
domingo, 22 de março de 2015
Escolher, caminhar, definir
A minha luz não me assusta! Gosto muito dela e faz-me sentir bem. Suei muito para a ter. É precisamente como escolhemos caminhar na penumbra que nos define. E essa escolha ou é geradora de mais luz ou mais penumbra.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O nosso pequeno pedaço de céu
Agarramos o nosso pequeno pedaço de céu
no breve arco-íris do aerosol.
Do gesto fez-se a janela do nosso contentamento
e mais uma vez aparece a comunhão.
Dizemos o quê? Nada.
Falamos dentro do nosso abraço.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Embalo
nu embalo das histórias sussurradas
no embalo das cortinas ao vento
no verão dos corpos poentes
nu suor da pele embalada
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Sinto
Eu respiro e isso traz memória do cheiro da ferrugem
a rodear uma energia assustada afogada nos meus braços.
Desapareces na parede, na barragem de conversa
e eu encosto-me a ti e sinto o teu ventre quente.
domingo, 17 de agosto de 2014
Escolher
Amor é veículo de crescimento. Sonhar ninguém sabe bem o que é. Vivemos para ser e para deixar de ir tendo. Sonhamos e sonhamo-nos. Os valores maiores da nossa humanidade são a vida e o amor. Eu escolho ser feliz, eu escolho amar, eu escolho ser caminho, eu escolho compadecer-me com a frágil humanidade de uma vulnerabilidade velada. Eu escolho ser o sonho e dançar ao ritmo da criatividade, essa nudez do ser. Eu escolho olhar dentro dos olhos de quem de mim é mestre e render-me para que possa crescer, sonhar, criar. Nada levamos connosco. O que de facto somos, fica para trás, na memória de outros. Teremos existido de facto? Ou seremos apenas um pensamento que alguém teve um dia? Que seja um bom pensamento. E isso não depende desse alguém no futuro. Depende de nós a cada passo no caminho que é nosso.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Solstício de Verão
Quando seguimos o nosso coração, estamos sempre no caminho certo. Mesmo que isso por vezes cause sofrimento. É o crescimento mais importante. Não crescemos todos da mesma maneira nem ao mesmo tempo. Mas se estivermos um pouco conscientes dele, talvez possamos entender um pouco melhor, não só o crescimento, mas também as limitações dos outros. Porque afinal somos feitos dessas duas dinâmicas. Amar torna-nos sempre maiores. Mesmo que doa. Não se ama senão verdadeiramente.
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