quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Momento
O ar está quente e o ritmado som dos grilos parece torná-lo ainda mais. Sente-se o cheiro verde da terra e o som ocasional dos pássaros atiça uma sensação que não é logo identificada. Uma sensação de cores mais vivas, de tudo se desenrolar mais languidamente. Os raios de sol por entre os pinheiros, como se fossem código morse acariciando a pele. Num instante que se vai desdobrando, há um gradual aperceber-se que estar ali é perfeição. Que coisa estranha de sentir. Mas sim, as nuvens já se haviam dissipado e o mundo era azul. Há ainda toda uma vida para viver. E tudo vai correr bem.Sabias?
Contingências das almas jovens, serem inquietas, mas não são menos sensíveis por isso e serão certamente mais luminosas. O mundo necessita delas, sabias? O mundo e a sua alma anciã precisam de ser iluminados por travessas faíscas na longa noite. Acredito que é por isso que existe orvalho ou porque o amanhecer tem sempre um cheiro como nenhuma outra parte do dia. Talvez sejam as utopias que vão dormir ou o limbo entre mundos que se abre devagar como uma concha e nos presenteia com mais alguns dos seus medos. Ou então, talvez seja a matéria do sonhador que chama pela alma para que ela corra depressa para seu mortal casulo. Seja como for, tudo faz parte do grande desígnio da Natureza.segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
O sorriso da minha ferida
Inebriantes são as miragens. Fresca é a água que nela imaginamos. A eternidade do momento acontece quando o tempo que passa é o tempo do amor, apenas saciado com o sal da pele amada. Tudo é mais real pela simples razão de não existir e o doce futuro que não vivi, deixou rugas no meu rosto e mais brancas no meu cabelo. Mas agora quero este instante, sentir-lhe a lâmina penetrar meu peito, quero dar-lhe o meu sangue, toda a mágoa regenerativa se esvairá no sorriso da minha ferida. Quero olhar à minha volta e nada mais ver do que o deserto e lá ver apenas o que lá estiver.sábado, 15 de dezembro de 2007
Crescer
Crescer, quando ao crescimento se resiste, é um processo doloroso. Mas como abrir a mão das certezas acumuladas ao longo de anos de existência? Há que ter consciência, cultivar um espírito aberto. Se uma ideia, uma noção melhor do que aquela que se tem, pelos ouvidos entra, então há que desistir da nossa cristalização, da nossa certeza interior e abraçar a nova. É assim a mecânica da evolução intelectual: estar consciênte da necessidade da reciclagem daquilo que interiormente faz de nós o que somos, num constante processo evolutivo.quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Elogio da fé
Sentimos dentro de nós, pela manifestação da química cerebral, que estamos num estado de apaixonamento, que existe alguém importante para nós, que desejamos… E por isso não necessitamos de prova sobre algo que nos é interior, que sentimos. Mas como acreditamos quando alguém nos declara seu apaixonamento? Acreditamos? Duvidamos? Acreditamos porque precisamos de acreditar? Acreditamos no outro porque nele reconhecemos aquilo que nós próprios sentimos, agora ou no passado? Acreditamos porque temos fé no presente e no futuro?
A fé é a ponte. Não vemos, não apalpamos, no entanto algo dentro de nós diz-nos que é real. Sempre foi assim e ainda que só para mim, não é por isso menos real.
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