quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Regresso

Ensina-me a sulcar o caminho
que me leva para longe da tua ausência.
Nela, descubro as cores da intemporalidade.
Ensina-me a voz e a vida, os passos de volta.

Vieste, direi eu um dia.
Lá, onde dissemos adeus,
sentirei os teus lábios mesmo antes de te beijar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Flor de luz

Uma flor, da cor do teu sentir,
uma flor para apaziguar a dor.
E se me deixares decidir,
do sol terá a cor
para que tenhas sempre
um norte ao qual voltar.
Porque na escuridão
existe algures
a luz de um coração.

domingo, 10 de agosto de 2008

Noutro lado qualquer

A difícil escrita ultrapassada
pela corrente de ar da tua passagem
torna-se mistério em desertos
um dia tomados como praias.
Feliz nos sucessivos luares primaveris,
contínua recusa da melancolia à espreita.
A escrita faz-se não para a invocar,
mas para a fintar.
Ela que se canse a procurar-me.
Estarei sempre noutro lado qualquer
à espera da espera por ti.
Sei que virás, por isso escrevo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Talvez

Os sonhos são feitos de sonhar, de pó das estrelas, do orvalho matinal da bruma que a noite espalha. Os sonhos são feitos de suspiros, de sussurros, de palavras secretas. Sonha esta noite teus sonhos mais intimos. Amanhã, quem sabe? Talvez eles estejam à tua volta.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ouro

Momentos, pedras preciosas agora,
amanhã... instantes fugidios,
reluzentes como rubis, como esmeraldas,
como o ouro escondido dentro de nós.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Agora

É preciso perdoar.
E quem temos de começar
por perdoar é a nós próprios.
Não sei como será amanhã,
ou mesmo mais logo,
mas agora estou bem.

sábado, 12 de julho de 2008

De dentro

Ouvir a voz que de dentro vem e entender-lhe o dialecto.
Ela ensina que o silêncio vagueia pela noite até reconhecer
o olhar sedento pela sonoridade resplandecente da luz.
Essa voz...Essa luz...secreta, murmura o canto, a pulsação
do mais infinitamente anónimo e insignificante coração.