segunda-feira, 18 de abril de 2011

Para ti

A tua ausência mel ao sol na ponta do anzol. Sombras, passos distantes... A esfinge vem, semblante de partida para o deserto. Vai assim com o caminhar do sol que a visão periférica nunca deixa vislumbrar. Velha e cansada é teu sonho de ti mesma. Na passagem das horas e no desbravar das duvidas. O espelho nunca te diz que nunca estarás tão bem como agora, sempre. O enigma nunca existiu, logo foi a procura da chave a ilusão. Mas nunca poderás dizer que não aprendeste. E eu contigo. Agora é tarde demais para parar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Inacabado


Desertou para o sol, para o sol azul,
pois de deserto se faz o espaço.
Engarrafamento de nada
entre céu e sol, espaço para brincar.
Perfume forte, adocicado, 
álcool envelhecido.
Sem dar conta, fiquei à espera,
a olhar para cima.
Inacabada ou sem fim
é a solidão de ser
sem memória.

terça-feira, 29 de março de 2011

De volta

Quem queres tu ser? A musa? Apenas tu me pões na vertigem da poesia. Alimento do olhar reflectido na retina da alma, depois no aperto da bomba vermelha de sangue vivo por ti. Ele nada me diz. Acotovela e dá caneladas para me mostrar que sinto. Não podias antes ocasionalmente segredar o que já sei? Diz-me então sem medo: se o coração é um quarto vazio, porque no escuro reluzente da paixão,sorvemos avidamente a saliva de cada um? As palavras oferecidas, os afiados gemidos pela pele dentro até ao centro da carne. Parimos o amor feito bloco de imaculada mármore e passamos os dias a esculpir as curvas dos passos de volta a ti e a mim. O caminho é largo, mas sentimo-lo como berma da falésia.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Aventura da vida

Longas esperas como sessões
de tortura em salas obscuras e húmidas.
Havia que agarrar algo, uma luz,
uma qualquer distorcida esperança.
Enfim...
O momento transformou-se por fim em ouro,
na esquecida alquimia do sentir.
Não me desviarei do meu caminho,
ou trocarei meu brilho interior.

Sim, és agora e sinto a tua carícia,
mas nada me peças em troca.
Quero a inocência inquebrável
de desbravar as sensações, os sentidos.

Neste querer, nada peço.
Dou-me como pão para o esfomeado,
como vinho para o descrente.
Neste querer de me dar,
abraço a aventura de viver.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Estrada

O que recordo é o momento do renascimento, relâmpago lento de mel, lágrima feliz da nuvem sonhada infância. Caminho de mãos dadas contigo, estrada por benevolentes sons. Algures, sei como sabe o sentir dentro, como o teu olhar diz também. Está um tempo virgem para nós e já lá estamos. Em casa. Na distância, o relâmpago, faz-nos sorrir.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

24.2.11

Temos de fazer disto uma ausência de estrelas. A esperança é o totalitarismo da alma e esta, como o diamante, é um alvo fácil. Fluir no espaço entre uma estrela e outra é ser de facto todo o universo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Queda

Se corrermos na fina lâmina, puxados por um cão raivoso, o mais certo é cairmos. Em dias indiferentes como este, eventos e coisas apenas parecem estar no seu lugar. Se redenção se espera, não surgirá do sangue da pele esfolada pela queda. É preciso acreditar no momento em que menos se consegue acreditar. E no desejo de não querer acreditar, aguarda-se que a ausência de lucidez, as pausas, os intervalos por fim parem. E tudo volte à normalidade. Seja lá o que isso for.