terça-feira, 31 de janeiro de 2023

O preço


Nunca nada de demasiado bom nos deve cair do céu. Há sempre um preço a pagar e esse invariavelmente vem do inferno.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.
-Camões


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Love is

When I think, I think of myself in all shapes an sizes, for I am full of nothing but myself, for I am my experience of the world. And when I'm in love, I am overwelmed with another that suddenly occupies all of me and becomes more important than myself. There is blood, and it is mine, and from another, rushing in my heart. So my body no longer is a cage, but it becomes the path. Love is a becoming.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

S/ Título

Não basta. Nada basta. Um ano acaba, um outro começa. As pessoas são apenas uma pessoa, uma jarra quebrada colada, com flores secas e encarquilhadas dentro. Quanto à esperança, se alguma, essa é minha. De mim para mim. Ninguém a acende a não ser a minha própria chama. Sim, a que todos cobiçam para si, nas suas enormes solidões, dentro dos seus labirintos, por elas erguidos, tijolo a tijolo. Não, não basta nunca, mas terá de ser suficiente. E será.

domingo, 4 de dezembro de 2022

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Cão


Que as façam então, as travessias.

Eu não estou interessado em molhar os pés

e o meu pesadelo é morrer submergido.

Este lugar construí-o eu

durante anos e anos de desaprumo.

Decidi fincar os pés e dele não abdicar.

Não me vendam águas escuras. 

Não me vendam água benta.

Não me vendam surdos slogans da multidão.

Não sou cão a ladrar atrás do camião.

Este cão já viveu as suas canzanas

nu meio das savanas.

É tempo de bocejar,

decidir não enfrentar o mar. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Poema esquecido



Escolho o desejo e o sonho.

Sonho-te e invento o desejo, 

desejo-te e realizo o sonho.

Tudo é transgressão do sentir, 

do viver, do sangue derramado,

o poema esquecido, a luz no escuro.

É um quotidiano transversal, escorreito,

tudo como deve ser, tudo errado, pois claro.

Urge revolucionar a surpresa, libertar a brisa.

Matei uma flor para ta oferecer antes de morrer.

Eu? A flor? O dar? O negar?

Sejamos humildes. É a vida que é grande,

já o viver nem sempre é.

Não a deixes passar por ti.

Hoje é meu dia de vendar os olhos.

O meu presente é a vulnerabilidade.

Não vejo nada ou talvez veja tudo.

Surpreende-me!