sábado, 29 de outubro de 2011

Regresso à forma

Eu era fantasma em infiel terra de serpenteantes faces de carnaval sem raíz ou tempo. Eu vagueava penadamente corredores de luminosos queixumes e mágoas eclipsados pela voracidade do breu alado e desgovernado no fundo dos corações. Eu aprendia a reler a a não ver os olhos cegos. Eu renascia longe de mim. Eu recusava, eu sabia. Já aqui tinha estado.

O meu obrigado às presentes 14 000 visitas a este espaço.

domingo, 9 de outubro de 2011

porque

Que venha sábado, domingo, a indolente sucessão dos dias. A presença da ausência de uma futura emoção, o tic tac tic tac das mudanças da luz a sussurrarem o segredo único de viver. E na confusão do eco, nada afinal se aprende. Que venha então segunda-feira e terça até ao cume da semana, de onde tudo se pode quase vislumbrar. Venham árvores, aviões entre as nuvens, telhados cheios de ideias. Destinos escondidos e sonhos idos com as andorinhas. Acaba aqui. Porque...não tem de haver porque.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Memória da pele

Parou. Deve haver um arco-íris algures. Roupa escorre gotas na pele dos dias líquidos. Por ser Verão no quente refresco antecipado doutros dias aqui confluem, aqui sinalizam derretidamente voos, tesouros num piscar de olhos. A memória da pele tinha saudades da chuva.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Secreto adeus

Como é duro conhecer o verão, essa porta de infinitos restritos pelos sentires da planície resistente à nossa cegueira. Luz, querer a luz quente resistente. Porque tem de ser assim de desenganos e fintas eficientes... Como é duro conhecer e estar-se condenado a esquecer e esquecer é a cela final de onde foge o ténue esboço da esperança. A ideia de sentir... A ideia de fugir por fim respirar fundo e dizer o mais secreto adeus.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Contraponto

Que me dizes do teu desassossego? Nunca falamos de espelhos, embora parecesse ser isso que fazíamos. E tu eras eu e eu era tu e quem somos nós afinal? Que te posso dizer do meu desaguar? Somos contraponto de um outro lugar qualquer onde de facto encalhamos. A minha pergunta devia então ser: se já lá estamos, porque nos procuramos? Olha como eles em reverência se divertema cada amanhecer? Acertemos o mapa, os tempos, a respiração, o bater do coração.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A minha celebração

Quero fazer anos todos os dias da minha vida e esquecer-me da passagem do tempo, lembrando que ele nunca pára. Quero celebrar as possibilidades e não me deter na tão fácil tristeza. Mesmo quando as lições são duras de aprender, mesmo na escuridão quando recusamos ver que há uma luz algures. Ao aproximarmo-nos, vemos que era o nosso reflexo num espelho e que a luz afinal éramos nós…Celebro-me grande, importante, de maneiras que desconheço ainda. Sou lugar, sou caminho, sou luz. Sou sagrado e profano. Sou transcendência. E todas estas coisas devo reconhecer a mim próprio. Sou o mapa da minha própria viagem.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Segredo

O teu silêncio
posso preenchê-lo com o que quiser.
Posso segredar no teu ouvido
o que não queres ouvir.
Puxar-te o cabelo até à rendição.
Mesmo assim… Mesmo assim,
Subjugas-me com o sabor do teu sorriso.
Nenhum jogo de palavras nos fará vacilar.
Olhamo-nos e perdemo-nos no que somos.
Não nos deixemos falar.
Beijemo-nos ao som veloz dos pneus
no asfalto molhado.
E do dia que vai ficando.