sexta-feira, 17 de março de 2023

Para ti


 Quando te vejo, assim, como um susto,
é chicotada, faca me espetas no coração
e a retorces. Não doi. Doce dor dos tempos,
vasto reino sem fim onde o horizonte nunca esfuma.
Tudo é possivel. Sim, tudo é possivel,
assim como olhar-te e perceber finalmente,
o que, como tu, sempre esteve na minha frente,
dentro de mim, em meu redor:
não existes. Ambos te construimos,
quais deuses ébrios de genesis. 
E agora não há descanso para nós.
Armadilha, sem dúvida. 
Sobreviveremos o deslumbramento?
E sim, sim, sim, sim...
Tu que agora me lês, 
sim, isto é para ti.

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