quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Por falar em pássaros... (ou how does it feel to have your backyard furtivelly watched?)


São iguais os pássaros 
em qualquer lugar do mundo. 
Cantam aos amantes e cantam a saber 
a incerta esperança do acontecer.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Broken

 

There are no angels, 

only broken people with broken hearts, 

broken minds and broken souls

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Um certo estranhamento


 Um certo estranhamento com a debandada da vida. Um desnorte sem rumo ou sorte, um pé ante pé de longa distância. Diz-me por onde andas,  por onde passeias as imperfeições. Nunca nada será de tanto enigma, nunca tudo estará tão perto, na saudade.

sábado, 19 de março de 2022

Quando o entardecer era madrugada

Quando o entardecer era madrugada
e eram os nossos sonhos suspensos nos montes.
Eram neblina sebastianica na promessa
de um nunca vir. E era o nosso baile
o silêncio do percurso das nuvens e
a papoila aguardava sozinha o convite
para dançar. E tu estendeste-lhe o sol.
E o nariz da estátua cega pingava orvalho
e a minha compaixão pulsou
pelo seu coração de pedra.
Doce, doce, era o estarmos ali já
na nossa ausência, a sorrir da memória 
e dos grãos de areia. 

quarta-feira, 2 de março de 2022

Em dias


Em dias de tempestade, cria-se o colo possível. 
Em dias de colo, sonha-se o sol do dia seguinte. 
Em dias de sol, recorda-se a chuva no rosto.
Em dias de chuva, renasce-se por entre as lágrimas.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Sim


 Sim, hoje olho o céu e não vejo azul, não vejo nuvens, não vejo infinito. Vejo-te a ti como um vasto zepelim feito miragem a cobrir-me na lenta passagem de um dia que se recusa a terminar. É a casota dos pardais pregada na árvore perdida na imensidão do pinhal, perdido na imensidão de um canto da savana irredutível ao dia, na solidão ausente das estrelas ou da Lua. Fica a semente, qual bomba-relógio, da inevitabilidade de regressar ao lugar anterior ao primeiro passo.