segunda-feira, 8 de maio de 2023

sexta-feira, 17 de março de 2023

Para ti


 Quando te vejo, assim, como um susto,
é chicotada, faca me espetas no coração
e a retorces. Não doi. Doce dor dos tempos,
vasto reino sem fim onde o horizonte nunca esfuma.
Tudo é possivel. Sim, tudo é possivel,
assim como olhar-te e perceber finalmente,
o que, como tu, sempre esteve na minha frente,
dentro de mim, em meu redor:
não existes. Ambos te construimos,
quais deuses ébrios de genesis. 
E agora não há descanso para nós.
Armadilha, sem dúvida. 
Sobreviveremos o deslumbramento?
E sim, sim, sim, sim...
Tu que agora me lês, 
sim, isto é para ti.

sábado, 4 de março de 2023

Gregor Samsa

“As Gregor Samsa awoke one morning from uneasy dreams he found himself transformed in his bed into a gigantic insect. He was laying on his hard, as it were armor-plated, back and when he lifted his head a little he could see his domelike brown belly divided into stiff arched segments on top of which the bed quilt could hardly keep in position and was about to slide off completely. His numerous legs, which were pitifully thin compared to the rest of his bulk, waved helplessly before his eyes.”
― Franz Kafka, The Metamorphosis


 

quarta-feira, 1 de março de 2023

Advento do vento


 O vento, como tudo na natureza, só pode ter sabedoria. Porque é o que é. O vento, como tudo na natureza, cede-nos, não nada de si, mas algo de nós próprios. Dá-nos a escutar aquilo que estamos preparados para ouvir. Logo, a sabedoria não é do vento. mas tua por o escutares.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Luto


 A mão toca leve e pede tudo o que há para dar.




terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

A minha mordidela é maior que a tua


 «Apercebo-me agora que regressamos sempre uns aos outros, Clara. Amamos sempre o mesmo rosto, reagimos sempre a uma nota. Talvez seja um qualquer espelho interior, talvez sejam as almas a reconhecerem-se umas às outras. Talvez seja uma alma a reconhecer-se a ela própria, apenas num tempo e espaço ligeiramente diferente. É tudo tão estranho, tão inacreditavelmente ao alcance da nossa compreensão e tão infinitamente distante. E vivemos entre estes dois polos, de quase tudo saber e quase tudo deixar escapar. É como dizer-te agora: és a mulher que eu amo, que sempre amei e sempre vou amar e ter de mim para mim essa certeza que desafia a razão.»
-A primavera da praga